Apesar de ter chegado em Cambará do Sul na sexta-feira à tarde, acabei conhecendo o primeiro cânion – Itaimbezinho – do Parque Aparados da Serra só no meio da tarde de sábado.
O motivo? O lugar onde estava hospedada, o Parador Casa da Montanha Eco Village. Uma tentação ao descanso e… bem, tinha acabado de almoçar um belo churrasco no fogo de chão – atrativo dos sábados no hotel. Aí tinha que desacansar um pouco.
Itaimbezinho
Do Parador até o Itaimbezinho são cerca de oito quilômetros (18, se contar do centro de Cambará). A estrada é chão batido, então vá devagar. Para entrar você precisa pagar 6 reais por pessoa, mais 5 por veículo ou 3 por motocicleta.
Diferente do Cânion Fortaleza, o atendimento ao turista é super organizado e fica localizado nessa casa. Ali você é orientado sobre as trilhas.
Melhor é sempre começar pela mais longa, a Trilha do Cotovelo A entrada é até as 15h. Isso porque são seis quilômetros no total, três de ida e três de volta.
Os dois primeiros quilômetros da trilha são mata fechada. Só o caminho é aberto.
Por algum motivo que não consigo explicar – uma vez que já fiz trilhas várias vezes, caminhadas por morros, enfim – usei chinelo de dedos nessa caminhada. Não fazia ideia da distância que teria que caminhar, mas isso não justifica o absurdo da minha escolha. Não preciso dizer que até hoje, uma semana depois, meus pés ainda têm bolhas, certo?
Ah, outra coisa: não esqueça o protetor solar. Por favor, NÃO esqueça! Falo porque senti, literalmente, na pele o esquecimento do protetor.
Sim, acho que relaxei tanto no final de semana que relaxei os neurônios também. Bom, vamos continuar com a caminhada. Aproveite para olhar para os lados – e também para cima.
Três quilômetros depois – ei, eu falei para vocês levarem água? Por favor, levem água! Não vou nem contar que também esqueci a água e… na volta estava pedindo para o pessoal do serviço do Parque um gole de água. Seguindo…
A primeira visão do Itaimbezinho é impressionante.
Nunca tinha visto um cânion ou algo parecido. A sensação é de que somos muito, muito pequenos diante da imensidão desse lugar.
E somos mesmo, não é?
Essa foto tirei do fim da trilha. O último quilômetro é ladeando o penhasco. Pra guardar na memória até o fim da vida.
Ida e volta, é hora de fazer a trilha do Vértice. Ela parte do centro de visitantes do Parque Nacional dos Amparados da Serra e chega na visão frontal da Cascata Andorinhas. Que a gente vê de cima no início da trilha:
A visão de frente também é lindíssima.
Tem ainda mais uma visão do cânion.
Na volta, na hora de cruzar um córrego, não aguentei! Lembram ainda dos chinelos que me acompanharam toda a caminhada, né?
Aquela água geladinha refrescando os pés… mais uma lembrança genial desse dia incrível.
Era hora de voltar pro Parador. E recuperar as energias para visitar o Cânion Fortaleza no dia seguinte, domingo.
Cânion Fortaleza
O Cânion Fortaleza fica a 22 quilômetros do centro de Cambará. Boa parte do trecho é asfaltada. Prepare-se, no entanto, para as pedras e buracos no trecho sem asfalto. Meu carro acabou amassando o protetor de carter e voltou de Cambará a Porto Alegre fazendo um barulho irritante. Já resolvido, pelo menos.
O Fortaleza não tem o mesmo cuidado ou sinalização do Itaimbezinho. Após entrar no Parque Nacional da Serra Geral – sem encontrar ninguém, tampouco ser cobrada qualquer valor – encontrei um ponto cheio de carros e com uma placa que indicava Trilha da Cachoeira do Tigre Preto. E é por ela que eu fui!
O que ninguém avisou é que essa trilha passava por cima da cachoeira. Não, vocês não entenderam: dentro da cachoeira. Prepare-se para molhar os pés. E muito, muito cuidado.
Logo ali é a queda d’água. Crianças podem se perder ou se aproximar demais, cuidado. Não há proteção, tampouco indicações.
Pra se ter uma ideia, quando se atinge o outro lado, está exatamente nesse ponto.
A partir daí, a trilha vai virando de frente para a cachoeira recém-cruzada.
E aí, de repente, estamos de frente ao Cânion Fortaleza.
Um pouco além, se chega na Pedra do Segredo. Não é possível se aproximar. É um bloco monolítico de cinco metros de altura e de aproximadamente 30 toneladas.
Mas em meio à dimensão incrível da Fortaleza, a Pedra não impressiona muito.
Voltando pra estrada, pegue o carro e siga em frente. Existe um estacionamento no fim do caminho, e ali você está a 300 metros dessa vista:
Existe ainda outra trilha, até o mirante. Essa não fiz, mas são três quilômetros ida e volta. Ainda farei. A vista de lá, relatam, é incrível.
Mas incrível, mesmo, eram os companheirinhos que me esperavam na volta para o estacionamento.
Graxaim, ou cachorros do mato.
A turma está praticamente acostumada aos humanos. E a derrubar as latas de lixo que guardam os restos dos lanches, também.
Esse era o mais dado de todos.
A foto não foi feita com zoom. Ele parece tão dócil, e lembra tanto um cão, que por muito pouco não toquei no bichinho. O que não é nada indicado – primeiro, porque são animais selvagens e devem ser respeitados como tais. E segundo, porque, por serem selvagens, podem atacar. Um amigo desse mansinho chegou a rosnar quando me viu aproximar dele.
Me despedi de longe da turma e iniciei a volta para casa. Não sem antes passar pelo Café Tainhas e devorar um pastel, uma torrada caseira e mais de um litro de suco de laranja gelado.
Cânions Itaimbezinho e Fortaleza – Cambará do Sul
Cambará do Sul fica nos Campos de Cima da Serra, também chamados de Aparados da Serra. O município faz divisa com as cidades de São Francisco de Paula, Jaquirana, São José dos Ausentes e Praia Grande (SC). Fica a 193 quilômetros de Porto Alegre e a 70 quilômetros de Torres.
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