O sucesso de Rita Lee pelo Brasil já não é novidade pra ninguém há muito tempo, mas nem todos sabem que a trajetória da cantora para alcançar o posto de rainha do rock brasileiro foi bem desafiadora e complexa. Por isso, hoje nós vamos te contar uma história (um pouco mais longa) de como Rita se tornou essa rainha. Senta que lá vem história <3

Rita Lee nasceu na véspera do ano novo, dia 31 de dezembro de 1947, em São Paulo e é a caçula de 3 irmãs, Virgínia e Mary. O seu pai, o dentista Charles Jones, tinha uma personalidade mais rígida. Já a mãe de Rita, descendente de italianos, Romilda Padula, era mais amorosa e tinha muito gosto por música.

*curiosidade
Nem todo mundo sabe, mas o “Lee” não é o sobrenome de família e sim um nome composto, dado às três filhas pelo pai em homenagem ao general americano Robert E. Lee. Hoje esse sobrenome já virou da família, tanto que os três filhos de Rita o usam.

Na música

Já na infância, Rita teve uma experiência com a música logo de cara: sua mãe tocava piano e, desde criança, a cantora gostava de assistir a mãe tocar e, inclusive, se arriscava a tocar uma nota e outra. Em um dia de sorte, o seu pai atendeu à pianista Magdalena Tagliaferro e fez um acordo: ele faria o seu tratamento de graça se ela desse aulas de piano pra Rita na sua escola.

Rita começou a fazer as aulas e mandou muito bem no piano, e assim foi escolhida para participar da escola de piano de Magdalena. Porém, na hora em que subiu no palco, ela congelou e começou a fazer xixi na frente de todo mundo. Magdalena disse para os pais de Rita que ela tinha medo do palco e por isso aconselhou a não seguir na música – mas, para nossa sorte, Rita não seguiu esse conselho.

Na época da Beatle Mania, quando ela tinha cerca de 15 anos, fez sua primeira participação como backing vocal de um pianista que fazia cover de Ray Charles. O grupo durou pouco e, logo em seguida, Rita juntou três amigas de colégio e criou o grupo Teenage Singers, no qual ela tocava bateria e cantava junto com as outras duas meninas. Elas começaram a tocar em alguns festivais no colégio, mas pra isso, ela precisava fugir de casa, pois o pai dela não queria que ela participasse desses shows.

Entre 65 e 66, as Teenage Singers chamaram a atenção dos cantores Prini Lorez e Tony Campelo e fizeram backing vocal para alguns LPs deles.

Após isso, Rita se juntou com outra banda que conheceu na adolescência e passou a tocar com eles, chegando a ter 9 integrantes no grupo. Como todo adolescente, alguns integrantes foram saindo, até que sobrou apenas seis pessoas no grupo: Rita, Arnaldo e Sérgio Batista, junto com outros três integrantes, formaram o Six Sided Rockers.

Mas como a família de Rita via isso apenas como um hobby, Rita sentiu a pressão e começou a procurar emprego, até que arrumou um trabalho e conciliava a banda no paralelo. Mas como a gente já sabe o jeito de Rita, ela acabou sendo demitida.

Primeiro contrato

Em 1966, a banda fechou um contrato com a gravadora universal e os donos aconselharam eles a mudarem o nome para português, como forma de se aproximar do público brasileiro. Então, eles viraram O’Seis. Eles lançaram dois álbuns, mas não fizeram um sucesso expressivo. Até que mais três integrantes saíram e eles resolveram mudar o nome para Os Bruxos.

Rita contou em entrevista que usava roupas extravagantes como as de bruxa para compensar a falta de voz. Para Rita, ela achava que não cantava tão bem quanto as cantoras da época, como Elis Regina, Marisa Monte, etc. Até que Os Bruxos começaram chamar a atenção e foram convidados para tocar na Jovem Guarda, um programa da Record TV muito famoso, mas aparentemente deu tudo errado. Por conta dos arranjos mais extravagantes do trio, a Jovem Guarda disse que dava mais valor para a estética e não ao som, assim eles acabaram vazando de lá.

O surgimento do Os Mutantes

Após esse episódio, surgiu um outro convite para participar de O Pequeno Mundo de Ronnie Von, um programa prestes a estrear. Quando eles se encontraram, Ronnie disse que eles teriam a maior liberdade para serem eles mesmos, mas que não curtia muito o nome “Os Bruxos”; então ele batizou a banda de Os Mutantes, inspirado no livro de ficção científica O Império dos Mutantes. Em 15 de outubro de 1966, eles fizeram a primeira apresentação com o novo nome no programa de Ronnie e se tornaram uma atração recorrente no programa.

Um dos momentos que marcou a carreira dos Mutantes foi quando eles foram chamados para fazer backing vocal na música Bom Dia, de Nana Caymmi no terceiro festival da música popular brasileira, no ano de 1967. Nesta ocasião, Gilberto Gil também chamou eles para cantarem no palco com ele, porém foi um verdadeiro caos.

Os Mutantes começaram a andar mais com Gilberto Gil e Caetano Veloso, até que surgiu o icônico álbum Tropicalia, em 7 de agosto de 1968. Em meados de 70, o grupo teve sua primeira briga e rompeu por tempo indeterminado. Nesse meio tempo, a gravadora convidou Rita pra lançar o seu primeiro LP solo, o Build Up, que no meio da gravação se reconciliou com os Batistas.

Carreira solo e os Tutti Frutti

Em 1972, Rita saiu do grupo, o que foi uma polêmica, pois ela sempre disse que foi expulsa por Arnaldo e os Batistas, mas eles diziam que foi ela que pediu para sair. Em 73, Rita decidiu dar um tempo da música e viajou para Londres, e foi lá que aconteceu a transformação de Rita Lee para a figura que conhecemos hoje. Assim que ela chegou na cidade, tirou o loiro do cabelo e colocou o famoso e clássico vermelho que acompanhou ela por décadas.

Quando voltou pro Brasil, fechou um show no evento da gravadora Philips. Ela não tinha banda, então saiu em disparada pra encontrar alguém que tocasse junto com ela. Neste momento, ela encontrou a guitarrista Lucinha Turnbull, considerada a primeira guitarrista feminina brasileira. Elas formaram o duo Cilibrinas do Éden. Depois se juntaram com a banda Lisergia, que mais tarde virou o famoso Tutti Frutti. A estreia da banda foi em um porão de um teatro em São Paulo e esse show foi um divisor de águas, pois foi o primeiro que Rita era a vocalista em destaque em uma banda.

Após o show, eles receberam um contrato, mas com uma condição: só se eles se chamassem Rita Lee e os Tutti Frutti. Todavia, a Rita estava usando muito ácido naquela época, o famoso LSD, e isso afetou logo o primeiro álbum do grupo, que foi rejeitado pela gravadora. Em 74 eles conseguiram lançar o primeiro álbum oficial, mas Rita continuava usando cada vez mais droga. A gravadora fez uma reunião com Rita, que estava preocupado com a sua imagem, e falaram pra ela como ela deveria agir e se vestir. Obviamente Rita ficou enfurecida e saiu da sala. Logo em seguida ela foi contratada pela gravadora Som Livre, onde deram total liberdade criativa. Aí então, entramos na era de ouro de Rita Lee.

Em junho de 75, Rita e os Tutti Frutti lançaram o icônico Fruto Proibido, considerado um dos melhores e maiores álbuns da música brasileira. Dele saíram hits como Ovelha Negra, Agora Só Falta Você e Esse Tal De Rock Enrow. As músicas marcaram a geração e ganharam até clipe no Fantástico, projetando assim a imagem de Rita pro Brasil todinho, transformando ela na rainha do rock brasileiro.

Depois foi sucesso atrás de sucesso até a Rita que conhecemos e idolatramos hoje.